Educação emocional – a família como parceira da escola

“É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, a saúde, à alimentação, a educação, ao lazer, a profissionalização, a cultura, a dignidade, ao respeito, a liberdade e a convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda a forma de negligência, discriminação, exploração e opressão.” (Constituição Brasileira, 1988, artigo 227, p.148)

Todos nós sabemos que a instituição familiar é a base do indivíduo, é o meio onde aprendemos nossos valores morais, culturais e crenças. Afinal, o ambiente familiar é o primeiro lugar de socialização e tem, portanto, grande valor e impacto em nosso desenvolvimento como seres humanos.

Mas a formação familiar sofreu e sofre muitas modificações ao longo dos tempos, tanto a nível cultural, como social, econômico e emocional. Segundo os dicionários, a palavra “família” significa “pessoas aparentadas que vivem na mesma casa, geralmente pai, mãe e os filhos, ou ainda, pessoas de mesmo sangue, linhagem ou admitidos por adoção”.

Na verdade, essa palavra tem sua origem no latim famulus que significa: conjunto de servos e dependentes de um chefe ou senhor. Essa era a visão da família greco-romana composta por um patriarca e seus fâmulos: esposa, servos, filhos, entre outros. Foi essa visão de família que orientou os princípios cristãos na chamada família tradicional, um modelo familiar que por muitos séculos sustentou a sociedade ocidental.

Na Idade Média, por exemplo, a estrutura familiar era predominantemente patriarcal, com o homem possuindo total autoridade sobre sua mulher e seus filhos. Cabia ao homem impor as regras e as leis familiares e as crianças eram consideradas adultos em miniatura. Desde os sete anos de idade elas eram obrigadas a fazer atividades laborais ao invés de estudar, pois tinham que aprender atividades domésticas ou o ofício do pai, que também era familiar, passando de geração a geração.

Mas a estrutura familiar sofreu grandes modificações ao longo dos séculos e sua composição mudou bastante. Chegamos a era pós-moderna com uma concepção bem diferente do núcleo familiar. No entanto, algo não mudou: o seu valor social! A família ainda é considerada a base da sociedade, o espaço onde aprendemos as primeiras noções de convivência e valores.

Se na Idade Média a educação das crianças era feita através da imitação e convivência com os adultos, e na sociedade pré-industrial ficava a cargo das instituições religiosas que regiam as famílias com suas crenças, valores morais e punições impostas nas regras familiares, a família da era moderna modificou totalmente essas dinâmicas.

Quando a escola se tornou laica a educação deixou de ser reservada apenas para os eclesiásticos e tornou-se um instrumento de iniciação social das crianças, um rito de passagem da infância para a idade adulta. Com isso, foi através da escola que a família voltou seu olhar para a educação das suas crianças, e a sociedade pouco a pouco passou por profundas transformações familiares saindo da visão de proteção e transferências de bens materiais ao indivíduo, para uma função afetiva e moral.

Assim, a educação e socialização da criança tornou-se responsabilidade não apenas da família, como também, das instituições educacionais que deve se adaptar as mudanças sociais.

Na sociedade contemporânea a família deixou de ser um núcleo tradicional e passou a ser heterogenia, com núcleos diversos tais como pessoas do mesmo sexo, parceiros divorciados com filhos de outros casamentos, mulheres solteiras que criam seus filhos sozinhas, enfim, existe atualmente uma infinidade de modelos familiares.

Por tanto, diante dessas mudanças o relacionamento entre a família e a escola é um tema de grande importância. Sabemos que para haver um bom desenvolvimento do aluno os pais e os professores devem trabalhar em conjunto. No entanto, o que observamos na prática são grandes barreiras que impedem essa relação. Para melhorar esse aspecto cabe a escola dar o primeiro passo se perguntando: quais são as barreiras entre a escola e a família? Qual o papel da escola na formação das crianças e jovens do século XXI?  

É preciso entender que a escola é uma instituição básica para o desenvolvimento da sociedade, e tem como característica principal a formação do indivíduo em seu espaço educativo. Dessa forma, a escola não apenas deve possibilitar aos alunos os conhecimentos científicos e culturais, mas também, os saberes socialmente importantes para as relações humanas. E aos pais cabe a garantia da frequência e apoio escolar.

Segundo o art.53 do Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1988), a escola é um direito de todos, dessa maneira, cabe a instituição escolar se transformar num ambiente seguro, prazeroso e atrativo para seus alunos, que passam várias horas por dia ao longo dos anos, nesse ambiente.

É importante que a escola auxilie a família no desenvolvimento moral, emocional e psicológico das crianças e jovens, e não apenas fique presa as atividades intelectuais. Infelizmente, porém, muitos professores acreditam que seus papeis são apenas de ensinar conteúdos e transmitir o conhecimento formal, se esquecendo de estabelecer uma boa relação e comunicação com seus alunos. Se fizerem isso, se tornam verdadeiros educadores e não meros transmissores de conhecimento.

 A metodologia pedagógica da Educação Emocional facilita esse processo ao estabelecer atividades pedagógicas que levam a gestão emocional e melhoria nos comportamentos. Isso torna a escola um espaço acolhedor, onde o aluno sente prazer em ficar para desenvolver suas funções sociais, cognitivas e emocionais. Um ambiente que vai acolhê-lo em suas vivências e experiências diárias, visando que que ele aprenda de forma significativa a expressar suas opiniões, gerir suas emoções e a socializar com os colegas.

Mas para que isso se torne uma realidade, é necessário pensar na integração da família no ambiente escolar, e não apenas em projetos educativos. Sem o auxílio da família a escola não conseguirá desenvolver o aluno por completo. É com a participação dos pais no ambiente escolar que o trabalho do professor é legitimado, uma vez que os pais influenciam no comportamento do aluno.

Este olhar sistêmico promove respeito aos valores de cada instituição: escola e família, e se traduz em ações que facilitam a resolução de problemas dos alunos, como a indisciplina ou falta de motivação, tornando assim, a escola um ambiente agradável e seguro para a criança de desenvolver e se relacionar sem medo.

Afinal, a família e a escola têm o mesmo objetivo e compartilham funções sociais e educacionais conjuntas, ambas são responsáveis pela construção emocional, social e cognitiva de suas crianças e adolescentes. A educação das emoções é um processo pedagógico e não terapêutico, e tem como finalidade o desenvolvimento das habilidades socioemocionais.

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