Competências Socioemocionais – A emoção na educação

O conceito de competência socioemocional (Ortiz, 2010) surgiu na literatura mundial com diferentes significa­dos e em tempos diversos. No entanto, a denominação de competência socioemocional começou primeiramente como competência social, na década de 80 do século passado, se confundindo com o conceito de competência emocional ou inteligência social, em algumas literaturas. Mais tarde, já na década de 90, com a publicação de vários livros sobre Inteligência Emocional, é que os conceitos começaram a clarear (Goleman, 1995).

Na verdade, muitos ainda se perguntam: o que são as Competências Socioemocionais? Segundo Goleman (1995) e alguns outros autores, são competências que consolidam os conhecimentos, habilidade e atitudes que torna uma pessoa um ser humano capaz de pensar, sentir, agir e interagir com a vida com sucesso, frente a uma sociedade desafiadora e em constante mudança. Assim, as competências socioemocionais primam pela postura afetiva ética, social e politicamente satisfatória.

Dessa forma, as competências emocionais dizem respeito ao aprendizado de habilidades essenciais para lidar com as respostas do organismo às exigências do contexto da consciência do nosso estado emocional, para sermos capazes de regular as emoções e expressá-las de forma adaptada; e, ainda, a consciência de como as nossas expressões emocionais produzem impacto nos outros.

Por exemplo, na escola as Competências Socioemocionais tornam-se importantes pontes para os alunos aprenderem a se relacionar consigo (competências intrapessoais) e os outros (competências interpessoais), como também, com os conteúdos escolares, pois elas favorecem a formação de várias competências cognitivas, como atenção e concentração.

Existem diversos tipos de competências tais como o autoconhecimento, amabilidade, autoconfiança, autocontrole, autonomia, comunicação intra e interpessoal, cooperação, engajamento, interesse em aprender, motivação. Elas são respaldadas pelos valores humanos do amor, bondade, gratidão, gentileza, humildade, senso de justiça, respeito e solidariedade.

Contudo, para o desenvolvimento das Competências Socioemocionais é necessário atividades desafiantes, práticas e teóricas. Os princípios de desenvolvimento dessas competências baseiam-se nos sentidos da pessoa para a compreensão das emoções, sentimentos e comportamentos.

A palavra “emoção” vem do latim emovere, e significa ação de se movimentar, se deslocar. A ideia de emoções é frequentemente associada aos aspetos da afetividade, ao “coração”. Contudo, não podemos falar das emoções de forma subjetiva. Emoções tem a ver com o cérebro, com os impulsos biológicos e estruturas químicas que nos leva a movimentos de sobrevivência tais como atacar, fugir, congelar (Jaques e Vicari, 2005).

Ou seja, segundo os neurocientistas as emoções são reações fisiológicas herdadas ao longo da evolução da espécie que, entre outras funções, preparam nosso organismo para alguma ação ou reação diante das situações ambientais. É como se a emoção dissesse para nosso corpo: “reaja assim diante dessa situação!”. Seja frente ao perigo quando sentimos medo e queremos fugir ou nos proteger.

E cada emoção tem as funções próprias, sendo divididas em emoções primárias, emoções secundárias e emoções de fundo. E mesmo não existindo um consenso entre os pesquisadores sobre a quantidade de emoções primárias, de modo geral, apontam para seis emoções primárias: medo, tristeza, raiva, nojo, surpresa e alegria.

Como provocam alterações corporais e fisiológicas em nossos gestos, ritmo cardíaco, respiração, coloração da pele, etc., as emoções mexem com os humores e influenciam nosso comportamento, daí a importância da Educação Emocional e as competências desenvolvidas para o fortalecimento da Inteligência Emocional.

Em 1999, Daniel Goleman definiu as competências emocionais em cinco domínios para falar da Inteligência Emocional:

  1. Autoconhecimento – capacidade de reconhecer suas emoções, descrever seus interesses e valores com precisão, sabendo avaliar seus pontos fortes e frágeis.
  2. Autogestão – capacidade de gerenciar as emoções e comportamentos, regulando o estresse e os impulsos emocionais, perseverar na superação de obstáculos.
  3. Tomada de Decisão Responsável – capacidade de analisar as escolhas e decisões, pensando nas consequências a curto e longo prazo.
  4. Habilidades Sociais (Relacionamento) – capacidade de estabelecer e manter relacionamentos saudáveis ​​e gratificantes, com base na cooperação e responsabilidade nas decisões pessoais em relação ao outro.
  5. Consciência Social – capacidade de tomar a frente (liderança), na perspectiva de cooperar e ter empatia com os outros, reconhecendo e apreciando as semelhanças e diferenças.

Estes cinco domínios são importantes para entender como lidar com as emoções que alimentam os pensamentos interpretativos que por sua vez, vão gerar os sentimentos e os comportamentos em diferentes áreas da vida: relacionamentos, trabalho, diversão, percepção da arte e do outro, fé religiosa.

(Do livro Educação Transcomportamental – Gestão das Emoções para Comportamentos Inteligentes, Isa Magalhães – Ludis Editora, 2018)